Evento do MAC une música e artes visuais

O MusiMAC, criado como um projeto de integração entre duas unidades da USP, é uma série de recitais durante o segundo semestre, realizados no Museu de Arte Contemporânea (MAC USP). A parceria é realizada entre o próprio MAC e o Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes e tem como objetivo a união de duas manifestações artísticas. Para isso, o projeto se dá na forma de recitais de música erudita dos séculos XX e XXI, acompanhados de palestras sobre a arte contemporânea.

Cada recital, realizado nas instalações do MAC, será precedido por uma explicação sobre a linguagem musical, assim como exemplos visuais, cortesia do acervo do museu. Os temas dos quatro encontros serão “A mudança de paradigmas na música erudita do século XX: Debussy, Stravinsky e seus reflexos na música ocidental”, “Darmstadt, Congresso de Praga e a influência da música politicamente engajada na composição brasileira”, “De Olivier Messiaen a José Antônio de Almeida Prado: religião, simetria e a suspensão do tempo” e  “Arnold Schoenberg e a importância da forma musical: pela legitimidade da linguagem expressionista e dodecafônica”.

Eliana Monteiro da Silva, aluna de doutorado do Departamento de Música e idealizadora do projeto, explica que a iniciativa surgiu “da observação de seus três organizadores sobre a escassez de iniciativas que aproximem as diferentes manifestações artísticas no espaço da Cidade Universitária”. Ela cita o desconhecimento do público geral em relação à arte produzida a partir do século XX: “Nosso objetivo é trazer esta nova linguagem de forma didática, informal e participativa, com a apresentação de recitais mensais precedidos de palestras introdutórias, que possibilitem aos ouvintes uma maior identificação com a produção mais recente”. Desta maneira, o contato entre o público e a arte é facilitado.

Sobre o surgimento da ideia de unir o Departamento de Música e o MAC em um projeto, Eliana afirma: “A idéia de reunir a projeção de obras do acervo do MAC com apresentações ao vivo em seu auditório se deve à semelhança entre os procedimentos usados por compositores eruditos e artistas plásticos, o que pode auxiliar na compreensão de ambas as vertentes”. A tradição de juntar as artes plásticas à música erudita é, portanto, benéfica para ambas as partes. Além disso, ela frisa a importância de atrair a comunidade USP ao MAC: “ pretendemos atrair os estudantes e o público para este espaço maravilhoso que é o MAC USP, nem sempre explorado com a curiosidade que merece. Há coleções incríveis em seu acervo que muitos estudantes desconhecem”.

A música erudita e a arte contemporânea, apesar de serem manifestos culturais e artísticos importantes, não fazem parte do conhecimento comum. “Os concertos são acessíveis a todo o tipo de público. Para isso criamos o estímulo de fornecer certificados de participação a quem assistir a 3 concertos dos 4 da série. Todos sairão mais conhecedores da música erudita e da arte produzida nos séculos XX e XXI” explica Eliana. Sobre a preocupação com o entendimento dos participantes, ela ressalta a didática: “Esta é a função da palestra introdutória, realizada por mim de maneira sucinta, objetiva e em linguagem simples”.

Tanto a música erudita quanto as artes plásticas contemporâneas nem sempre fazem parte da bagagem cultural da sociedade e causam certo estranhamento no público. Contrariando essa noção bastante difundida, Eliana é da opinião que a música erudita e a arte são pensadas para atingir a sociedade de seu tempo:  “Não há porque ter receio da música erudita ou das artes plásticas. Conhecendo o contexto em que foram criadas, ninguém se sentirá esnobado por elas”. Ao mesmo tempo, ela reforça que a compreensão das obras aumenta o apreço por elas “Nem, ao contrário, [o público] tecerá comentários do tipo ‘Isso qualquer criança faz!’”

O motivo, em sua opinião, para a escassez de colaborações interunidades na USP é a falta de comunicação entre elas sobre seus trabalhos: “Acho que há falta de conhecimento entre os programas desenvolvidos nas áreas específicas”. Ela cita também o grande número de áreas de estudo e a falta de tempo no dia-a-dia como razões para essa falta de união.

Essas colaborações, de acordo com Eliana, são vantajosas e deveriam acontecer com maior frequência. “Nosso interesse em projetos interunidades da USP é imenso. A princípio as vertentes artísticas são próximas por natureza,” diz ela. Mas há também a possibilidade de trabalho com outras áreas de conhecimento. “Há outros parâmetros que podem ser aproximados à Música, como a História, Ciências Sociais, Letras, Educação, Matemática, Economia, Saúde, etc”. Pode haver um desconhecimento inicial, mas a partir de uma identificação, temos uma compreensão maior. “É como o estranhamento em relação à música erudita dos séculos XX e XXI: conhecendo melhor suas bases, o resto flui naturalmente”.

Texto publicado originalmente no link (Agosto/2013)

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