Revista Pólen

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Revista literária mensal

Edição, coordenação, resenhas, matérias.

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Resenha de “À procura de Audrey”, Sophie Kinsella

Eu cresci lendo as histórias da Sophie Kinsella. Desde a primeira vez que li Os delírios de consumo de Becky Bloom, na pré-adolescência, sempre tive um carinho enorme pelas histórias cômicas e românticas da autora. Os anos se passaram e, entre muitas histórias da Becky e outras protagonistas legais, os livros da Sophie sempre foram meus comfort reads. Sabe aqueles livros que você lê e relê porque te deixam bem e você já sabe quase de cor? Então.

Minha favorita é a Emma, de O Segredo de Emma Corrigan, porque nada diz tragicomédia romântica mais do que uma garota que entra em pânico no avião e conta seus segredos ao vizinho de poltrona. Que, claro, acaba sendo o CEO da corporação para qual ela trabalha. Ah, como eu adoro essas histórias que são praticamente sitcoms.

Outra coisa de que eu gosto muito é literatura adolescente. Fica aqui a confissão de que em uma parte da minha adolescência, me achava cool demais pra isso e preferia dizer que só lia livros sérios e escondia meus guilty pleasures literários. Mas como tudo na vida muda, em algum momento eu me apaixonei por YA. Então a notícia de que a Sophie Kinsella, rainha da minha estante -sério, tem uma prateleira só pra ela e, devo dizer que só Harry Potter também tem essa honra -, iria escrever um livro young adult, já sabia que seria algo incrível.

O livro é À procura de Audrey e nossa protagonista tem catorze anos e sofre de ansiedade. Ela sofreu alguns problemas com bullies na escola e agora está em casa, não consegue sair, faz um progresso lento na terapia e usa óculos escuros para que não vejam seus olhos.

A história começa com todas as frustrações de Audrey. Como sua doença a impede de sair, ela está presa o dia todo com a família tendo discussões repetitivas e com seus próprios pensamentos destrutivos. No meio de tudo isso, ela conhece Linus, um dos colegas de time de videogame do seu irmão mais velho.

É em Linus que Audrey encontra um confidente e uma energia positiva. Enquanto ela tenta, por recomendação de sua terapeuta, criar novos hábitos para conseguir superar a ansiedade e voltar à escola no próximo ano, Linus a ajuda de perto, incentivando o progresso.

Eu tinha altas expectativas para esse livro e é fácil ver onde poderia ter dado errado. Quando falamos de ansiedade, o desconhecimento é o pior vilão. O envolvimento entre Audrey e Linus poderia ter se tornado um tipo de ‘salvação’ pra ela, a história poderia ter uma mensagem de ‘tudo está na sua cabeça, é hora de superar’, os cuidados que os pais têm com a protagonista poderiam soar exagerados, enfim, os riscos eram altos.

É importante que em um livro que pretende retratar a vida de alguém com uma doença psicológica, a história mostre as dificuldades que essa pessoa enfrenta com atividades do dia-a-dia. No caso de Audrey, sua terapeuta a incentiva a gravar um documentário, já que ela não consegue olhar nos olhos das pessoas e a câmera serve como barreira. Ela também faz uso de remédios e isso é tratado com bastante honestidade em diversas partes do livro.

O que eu encontrei em À procura de Audrey foi uma história honesta sobre como as pressões da vida afetam adolescentes, como o bullying tem consequências,  como todos estamos sujeitos a isso, como não devemos minimizar os problemas dos outros, como relações positivas são importantes na vida e, principalmente, sobre o papel fundamental da paciência e do tratamento correto da ansiedade. A voz de Audrey reflete muito bem o que é se sentir isolada, nervosa e com medo o tempo todo e tem a capacidade de YAs de ser engraçado, fofo, triste e animador ao mesmo tempo.

A combinação Sophie Kinsella e young adult se provou ainda melhor do que eu jamais poderia ter imaginado 🙂

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